segunda-feira, 1 de maio de 2017

2018: O “espólio” de Lula no Nordeste e o "plano B" do PT

Estadão – A um ano e cinco meses da eleição de 2018, partidos da base aliada do governo Michel Temer disputam o espólio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Nordeste. Nos bastidores, até integrantes do PMDB de Temer buscam composições e acertos regionais para ter Lula no palanque, mesmo sendo oposição ao PT. 

O movimento acompanha a liderança do ex-presidente nas pesquisas de intenção de voto, embora ele seja réu em cinco ações penais, três das quais no âmbito da Lava Jato. A cúpula do PT, porém, já considera com mais atenção a possibilidade de o petista não poder concorrer ao Palácio do Planalto, em 2018, e tenta montar um plano B.

Com 26,8% dos eleitores brasileiros, o Nordeste virou um celeiro de votos em busca de um candidato. Lá, os problemas causados pela seca foram acentuados pela redução drástica de investimento em obras no semiárido e no agreste.

Diante de tantas incertezas provocadas pelas delações da Odebrecht, os partidos também procuram “outsiders” na política – sem processos ou máculas – para lançar em disputas de todos os níveis.

“Existem hoje dois cenários. Com Lula, haverá uma candidatura que catalisa o enfrentamento. Sem ele, ocorrerá uma multiplicidade de candidatos, como na eleição de 1989”, disse o deputado Jutahy Junior (PSDB-BA).

Pesquisa Datafolha divulgada ontem (30/04) mostrou que Lula ampliou sua liderança, apesar das denúncias, chegando a 30% das preferências. Mesmo assim, para 32% dos entrevistados, o governo do petista (2003-2010) foi o que registrou maior incidência de corrupção. A rejeição a Lula também chegou a 45%. Se as eleições fossem hoje, o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) ocuparia o segundo lugar, de acordo com o Datafolha, empatado tecnicamente com a ex-senadora Marina Silva (Rede).

Lula já deu indicações de que, caso seja condenado em segunda instância e impedido de entrar no páreo, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad pode ser o indicado para concorrer ao Planalto, em 2018. Seu afilhado favorito para a missão seria o ex-governador da Bahia e ex-ministro Jaques Wagner. Até agora, no entanto, as delações atingiram mais Wagner do que Haddad. O apoio ao também ex-ministro Ciro Gomes (PDT) é hoje descartado pela cúpula do PT, sob o argumento de que ele é muito “intempestivo” e não resistirá à campanha.


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